segunda-feira, 5 de março de 2012


FINITO

Às vezes me esqueço
que até o avesso
tem fim.

Nicole Rodrigues

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012


I Quem diria que de tua triste gôndola
 sairiam tantas palavras minhas
e que da ponta dos dedos
− que nem sei mais de quem são −
tantas páginas brotariam


como brotoejas pelo corpo
que empola no inverno sueco

ou papoulas que padecem
por não tê-lo por perto

para descrevê-las com o gracejo e com a graça
que, mesmo quando versas a desgraça,
insistem em te acompanhar.
II Se ainda me restasse o crescer,
eu seguiria os teus passos
e expandiria para todos os lados
em todas as formas de versos
mas como só me resta o envelhecer
me espalharei não em teu alvo
mas sim em tua esgueira
para florir com elegância
em meio às folhas e flores de tua macieira.  
Nicole Rodrigues

sábado, 18 de fevereiro de 2012


REDOMA

Uma redoma é o que me falta
para proteger do frio,
da chuva,
do medo
e das taras
deste lugar.

Quando saio o arrepio me invade a tez
e na boca me falta o ar,
mas eu respiro fundo e me forço
- ainda que os passos sejam largos
e o peso do meu corpo dobre -
a continuar.

Porque sem caminho não há jornada,
sem saída não há chegada
e de uns tempos pra cá
eu tenho me recusado a morrer
nessa pilha de trapos
que chamo de sofá.

Nicole Rodrigues

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

 VALERIE & ELMER
Valerie was blooming
and Elmer was brought
long after my love
for you was born.

Still they came
in carefully wrapped colourful boxes
and blindingly beautiful
hand-made cards

to seal
the fallen petals
and to heal
the scars in my trunk.

I welcome them all
in my shelves, drawers and desks,
as I have welcomed you four years ago
in every inch of my body, heart and soul.
Nicole Rodrigues

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012



Dizias que não mas gostavas
e gozavas feito louco que eu vi
a mancha de prazer jorrando de ti.

Nicole Rodrigues

ALARME

Quando as roupas amontoam no chão
e as pernas enroscam na cama
a última coisa que importa
é a hora que o alarme vai tocar.

Nicole Rodrigues

sábado, 7 de janeiro de 2012


SHUT

Do you know how hard it is
to keep my head up
when all I see are doors shutting?

When all I hear
are bangs on the wall,

all I taste
is bitterness,

all I see
are distant shadows

and all I fear
is happening.


Nicole Rodrigues

SIMONES

Se Simones não faltam no teu ninho-sartre
por que choras a minha ausência?

Quantas delas são o teu grande sol?

E se eu sou a única,
saberão elas que são apenas fagulhas?

Quando lhes dirá?

Eu espero
pacientemente.

Nicole Rodrigues

domingo, 18 de dezembro de 2011

VENTRE

 Como posso te arrancar do peito
se foi no teu ventre que passei a respirar
e no teu colo que caí de amores por ti?

Até a tua claustrofobia eu herdei.
A determinação, o tutano e a teimosia também.

Por que não posso ser eu,
quando tu podes ser tu,
e eu te amo como és?

Por que não podes tu
me amar sem revés?

Que raio de amor manco!

Quando uma de nós não está
não há porque amar.

Então porque não voltas?
Estou aqui a te esperar.

Nicole Rodrigues

sábado, 17 de dezembro de 2011


VAZIO

Eu não amo muitas pessoas nessa vida, mas, meu deus, as que eu amo…

Juro que arrancaria o meu coração a golpes de bisturi
se isto pudesse salvar qualquer uma delas.

Desde a tua partida eu tento compreender o que este novo vazio significa e me preparar para os vazios que virão.

Eu não sei o que fazer com a tua poltrona.

Tua sandália de couro, teu boné, o maldito cortador de unhas… por que não levaste tudo contigo?

Nem aquela bíblia velha te salvou, mas você bem que acreditou.

Por que não me pediste mais colo?

Por que não me enfiaste a mão na cara quando eu te disse umas verdades?

Por que não me disseste as tuas verdades?

Que diabo de homem tu foste.

E por que em sonhos tu me visitas como um anjo?

Por favor, me perdoe.
 
Nicole Rodrigues

PALERMA

Às vezes penso no silêncio ao qual ela me limitou.

Na criança precoce e na adolescente palerma e sem graça.

Sair de casa permitiu que eu libertasse as minhas outras faces.

Foi quando passei a ouvir as vozes que sussurravam outras formas de viver.

E tudo o que para ela era novo, para mim era apenas “eu”.

Nicole Rodrigues

O meu maior desafio é terminar um poema antes do impulso acabar e da vontade de me explicar começar.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011


ESPASMO

Após todo esse tempo
tua voz me atinge os tímpanos
e o peito
como uma foice.

As lembranças afloradas
na carne
com o toque dos meus dedos
que finjo serem teus.

Primeiro um espasmo,
depois um sussurro.
Não, as lagrimas que jorram de mim
não vieram dos olhos.


Nicole Rodrigues

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011



Quem será a tua musa da hora?

A que te faz versar nas noites insones...

Que chega em teus pensamentos
e não vai embora...

Por quem será que tu choras?

Nicole Rodrigues
O cavalo de tróia está atrasado
e a liberdade também.

Não teima,
bobagem!

Não tema
a viagem!

Não trema
- coragem!

Nicole Rodrigues

CANTIGA

Espero que o sol daí brilhe mais do que o de cá
e que os passarinhos cantem para te alegrar
neste dia que é só teu.

Nicole Rodrigues

domingo, 11 de dezembro de 2011

Quando foi que passei a sentir medo?

E a cura por onde anda?
A largos passos
                                                                já vai lá na frente
e não há quem a alcance.



A trilha de pinheiros esculpe um torso feminino.

Nicole Rodrigues


Que deus é esse
que não há?

Nicole Rodrigues

domingo, 20 de novembro de 2011



FUNDO DO MAR

Embora ele seja tudo o que eu sempre quis
hei de me cuidar

para que não terminemos juntos
no fundo do mar.

Nicole Rodrigues